segunda-feira, 15 de abril de 2013

Dezoito anos mais cinco

Meu olhar foi fixo e incisivo diante ao espelho do banheiro, ele me encarava e até me intimidava durante nosso confronto. Fiquei dez minutos ou mais na mesma posição, totalmente estático, esperando que algo acontecesse diante de meus olhos. Nada ao meu redor era capaz de me distrair.
Meus olhar refletia indignação e um leve cansaço, meu cabelo de repente havia diminuído e minha testa começara a refletir um futuro que eu já não quero abraçar. Minha barba mesmo que rala demonstrava que existe tempo na vida enquanto ela é terrena e assim eu ia me reconhecendo, mas só quando eu cerrei meus olhos que pude enxergar quem eu realmente era. Não que o espelho seja um tremendo mentiroso, só não dizia muita coisa sobre a minha verdadeira essência.
A partir desse momento vi que eu sou uma eterna criança, mas que o mundo agora começara a sufocar, me afastando da realidade e impondo padrões e conceitos que já mataram nossos pais, nossos professores, nossos tios, nosso vizinhos e todos que já passaram dos 20 e poucos anos. Percebi que a vida depois de um certo tempo te rouba descaradamente a felicidade e ainda ri da sua cara.
Amanhã completo 23 anos e ainda quero: salvar o mundo, viver alegria constante, ter fim de semana livre e ganhar dinheiro com minha criatividade sem achar que seja algo cansativo. Bom, tirando isso não tenho muita certeza do quero, porém tenho do que não quero. O que não significa que nem tudo que eu não quero eu não precise, mas o meu objetivo é não precisar.
Já me encontro um pouco lúcido e já acertei as contas com o espelho, estou melhor. Eu acho...

Nenhum comentário:

Postar um comentário